Se por acaso ainda respiro…
Toco-me… mas nada sinto…
Marasmo imenso e rotativo,
Onde tão forte é o suspiro,
Quão sinuoso é o labirinto…
Arranho com raiva o vento
Que me fustiga e empurra
Sem dó, fazendo-me tropeçar…
Procuro em vão o pensamento
Que por aí paira e sussurra
E que em mim vem encalhar…
Pouso as minhas mãos vazias
No esboço de felicidade
Que se afasta teimosamente…
São bem duras as travessias
Através desta bestialidade
De uma dor entorpecente…
E nesta noite de desalinho
Em que a treva é uma amálgama
De sonho e realidade amarga,
Vou pela senda do torvelinho
Que o meus sentidos embalsama
E a minha voz cala ou embarga…














